Num município onde só existe quase a escola e as igrejas como bons pontos de referência e apoio aos jovens, o esporte deveria ser um setor de maior credibilidade por parte das autoridades e da população.
O que ocorre é que, diante da vontade de jogar e da falta de política para isso, vem a frustração dos jovens. Eles não se sentem valorizados e estimulados, já que o pouco que conseguem é fruto de muito esforço de alguns grupos que se unem para pedir apoio do mirrado comércio local. Ou seja, vão “levando na raça”. Para acabar de completar, a população pouco prestigia o esporte local de forma continuada (aquele da raça), só aclama o futebol de alguns eventos.
Mas a juventude insiste, treina, corre atrás. Treina em quadra em péssimo estado de conservação, sem pintura, sem banheiro, sem rede de trave, sem aparelho de som, sem medalha, sem troféu, sem apito, sem vassoura, sem cartão, sem quase tudo.
Outro ponto negativo são as pessoas que coordenam o esporte local. Elas só entendem futebol por regras (mal aplicadas), de enfrentamento, se baseiam em grandes campeonatos numa estrutura tão precária como a de Vitória. O esporte para elas se resume em ceder a quadra para os outros se virarem. Não entendem o esporte como uma política de resgate de valores sociais, de jogo de cumplicidade, de formação. Para piorar, quando se fala em esporte em Vitória do Xingu, o que vem à cabeça? Futsal.
Ou seja, mais uma prova da restrição e da pobreza do conceito.
As escolas fazem alguma coisa, mas ainda é muito tímido e parecido com o que pensam os coordenadores locais. Ela está reproduzindo a falta de política que já existe. O que contribui para um maior prejuízo do bom conceito e do bom uso que deveria ter o esporte (o esporte, não uma modalidade).
Enquanto a bola descascada vai rolando, a falta de bons políticos (incluindo os eleitores) vai deixando o esporte de Vitória do Xingu chutando na trave. E a juventude procurando drogas, bebidas e festas até altas horas.
Mirinaldo, setembro de 2010.
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